quinta-feira, 8 de março de 2012

Campanha do Desapego


Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”.
Salmos 1:1

         Atitude difícil, mas sempre necessária.

            “Certa vez um homem decidiu subir uma alta e íngreme montanha para no cume encontrar um guru que o ensinaria o segredo da vida. Pegou uma mochila velha e maltrapilha e foi enchendo-a com tudo o que ele achou que seria necessário para a sua viagem. Nos vários compartimentos o homem colocou garrafas de água bem gelada, um pouco do que havia sobrado do jantar do dia anterior, alguns pacotes de bolacha, meias limpas, uma toalha... Na capanga estava tudo que era preciso para a longa jornada que ele realizará. Vestiu as suas roupas mais confortáveis, calçou os seus sapatos mais macios e saiu para completar a sua missão.

            Ao sair de casa, nosso aventureiro passou no jardim e pegou seus três anões de jardim e com muito custo conseguiu enfiá-los dentro de sua bolsa. Alguns mantimentos tiveram que ser retirados a fim de dar lugar às estatuas de gesso, afinal àqueles anões foram os seus únicos companheiros durante vários anos, seria injusto não levá-los na sua caminhada.

            O homem andava com muita dificuldade, já que a sua gualdrapa estava muito pesada. Após algumas horas, ele finalmente conseguiu chegar ao pé da colina, olhou alegremente para o pico e viu um velho templo no topo. Sorriu. Estava cansado, mas a sabedoria que embolsaria recompensaria todo esforço. Suspirou e começou a subida. Era árduo, nesse instante o sol já ostentava toda a sua glória e calor, pedras pontiagudas e quentes machucavam os seus pés, o ar se tornava mais seco e insuportável a cada instante.

            Decidiu parar para realizar um lanche, sua barriga já relinchava atônita. O viajante começou aquelas bolachas no seco, já que resolvera economizar as poucas garrafas de água que sobrara para o resto da viagem. Após um longo descanso, o peregrino retornou na sua marcha rumo ao conhecimento. No céu a lua brilhava graciosa e prateada e a caminhada se tornava cada vez mais difícil devido a escuridão. Resolveu dormir. No acampamento via-se apenas uma fogueira mal acesa e uma pequena barraca construída com gravetos e retalhos de tecido velho onde o homem tentava dividir espaço com os seus amigos duros e imóveis.

            No raiar do dia retomou sua missão. Quando o ponteiro do relógio estava para se posicionar declarando ser meio dia o homem se deparou com um muro. Ele parou e analisou a situação. Lembrou-se sobre o que todos diziam a ele. Ele estava quase chegando no templo. Aquele lugar era as paredes da escola esculpidas nas rochas da montanha na qual se encontrava o mestre. Bastava apenas subir as escadas sinuosas e ele teria acesso ao conhecimento. Levantou o pé e começou a subir. Logo nos primeiros degraus caiu no chão retornando ao pé da escada. Tentou outras vezes, em vão. Sempre caía. Percebeu que a escada era íngreme demais e que sua mochila pesada impedia a escalada.

            Começou a jogar as suas coisas fora. Seus mantimentos, sua barraca... Foi tirando tudo, pouco a pouco até sobrar apenas os seus queridos anões de jardim. Mesmo assim, ainda era muito pesado para conseguir subir os degraus desuniformes e esguios. No fim da tarde veio descendo através da escada um velho sábio. Ele havia passado muito tempo no cume d montanha fazendo um estágio com o guru. O sábio viu o homem desesperado e tentou ajudar. Disse ao alpinista que ele deveria abandonar todo aquele peso se referindo aos anões. O homem deu um grito e disse que jamais faria isso, ele nunca abandonaria o que sempre lhe trouxe felicidade. O sábio balançou a cabeça e seguiu sua viagem.

            O homem bufando de raiva não sabia se odiava o sábio por ter lhe falado aquilo ou se odiava a si mesmo por cogitar a proposta do sábio. Depois de muito pensar e discutir consigo mesmo o homem se questionou o que era mais importante para ele e com muitas lágrimas nos olhos e aperto no coração depositou cuidadosamente seus anões de jardim, que com tanto amor havia confeccionado, no pé da escada e subiu rumo à sabedoria.

            Quando chegou ao fim de sua jornada, os seus olhos não conseguiam conter as lágrimas, dessa vez de felicidade. O guru então lhe perguntou se foi muito difícil abandonar os seus amigos durante o caminho, pois ele havia assistido do alto da montanha todo o trajeto do humilde peregrino. O homem, com pesar no peito disse que sim, pois ele era um homem muito solitário e aqueles anões eram sua vida. O guru o levou a questionar a sua vida e estimulou o homem a relembrar todos os seus dias. Neste instante o homem percebeu que sempre tivera companhia, que as outras pessoas de sua aldeia sempre tentaram se aproximar dele, mas ele sempre as rejeitou por não se sentir bom o suficiente.

            O homem então percebeu que nunca estivera aberto para novas possibilidades e com isso ele descobriu a razão da felicidade. O homem se apaixonou pelo templo e pelos seus ensinamentos e nunca mais retornou de lá, ficando no lugar do guru quando este veio a falecer.”

Muitas vezes se torna difícil abandonar certas pedras pelo caminho, mas algumas pessoas apenas nos levam pra baixo. Devemos tirar os pesos das nossas costas e continuar a caminhada rumo ao nosso sucesso, nós deixamos muitos pra trás nessa longa caminhada, mas com certeza muitos melhores virão pela frente.

Não vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes”.
1 Coríntios 15:33

Fica a dica!