“Bem-aventurado
o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém
no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”.
Salmos
1:1
Atitude
difícil, mas sempre necessária.
“Certa
vez um homem decidiu subir uma alta e íngreme montanha para no cume
encontrar um guru que o ensinaria o segredo da vida. Pegou uma
mochila velha e maltrapilha e foi enchendo-a com tudo o que ele
achou que seria necessário para a sua viagem. Nos
vários compartimentos o homem colocou garrafas de água bem
gelada, um pouco do que havia sobrado do jantar do dia anterior,
alguns pacotes de bolacha, meias limpas, uma toalha... Na capanga
estava tudo que era preciso para a longa jornada que ele realizará.
Vestiu as suas roupas mais confortáveis, calçou os seus sapatos
mais macios e saiu para completar a sua missão.
Ao
sair de casa, nosso aventureiro passou no jardim e pegou seus três
anões de jardim e com muito custo conseguiu enfiá-los dentro de sua
bolsa. Alguns mantimentos tiveram que ser retirados a fim de dar
lugar às estatuas de gesso, afinal àqueles anões foram os seus
únicos companheiros durante vários anos, seria injusto não
levá-los na sua caminhada.
O
homem andava com muita dificuldade, já que a sua gualdrapa estava
muito pesada. Após algumas horas, ele finalmente conseguiu chegar ao
pé da colina, olhou alegremente para o pico e viu um velho templo no
topo. Sorriu. Estava cansado, mas a sabedoria que embolsaria
recompensaria todo esforço. Suspirou e começou a subida. Era árduo,
nesse instante o sol já ostentava toda a sua glória e calor, pedras
pontiagudas e quentes machucavam os seus pés, o ar se tornava mais
seco e insuportável a cada instante.
Decidiu
parar para realizar um lanche, sua barriga já relinchava atônita. O
viajante começou aquelas bolachas no seco, já que resolvera
economizar as poucas garrafas de água que sobrara para o resto da
viagem. Após um longo descanso, o peregrino retornou na sua marcha
rumo ao conhecimento. No céu a lua brilhava graciosa e prateada e a
caminhada se tornava cada vez mais difícil devido a escuridão.
Resolveu dormir. No acampamento via-se apenas uma fogueira mal acesa
e uma pequena barraca construída com gravetos e retalhos de tecido
velho onde o homem tentava dividir espaço com os seus amigos duros e
imóveis.
No
raiar do dia retomou sua missão. Quando o ponteiro do relógio
estava para se posicionar declarando ser meio dia o homem se deparou
com um muro. Ele parou e analisou a situação. Lembrou-se sobre o
que todos diziam a ele. Ele estava quase chegando no templo. Aquele
lugar era as paredes da escola esculpidas nas rochas da montanha na
qual se encontrava o mestre. Bastava apenas subir as escadas sinuosas
e ele teria acesso ao conhecimento. Levantou o pé e começou a
subir. Logo nos primeiros degraus caiu no chão retornando ao pé da
escada. Tentou outras vezes, em vão. Sempre caía. Percebeu que a
escada era íngreme demais e que sua mochila pesada impedia a
escalada.
Começou
a jogar as suas coisas fora. Seus mantimentos, sua barraca... Foi
tirando tudo, pouco a pouco até sobrar apenas os seus queridos anões
de jardim. Mesmo assim, ainda era muito pesado para conseguir subir
os degraus desuniformes e esguios. No fim da tarde veio descendo
através da escada um velho sábio. Ele havia passado muito tempo no
cume d montanha fazendo um estágio com o guru. O sábio viu o homem
desesperado e tentou ajudar. Disse ao alpinista que ele deveria
abandonar todo aquele peso se referindo aos anões. O homem deu um
grito e disse que jamais faria isso, ele nunca abandonaria o que
sempre lhe trouxe felicidade. O sábio balançou a cabeça e seguiu
sua viagem.
O
homem bufando de raiva não sabia se odiava o sábio por ter lhe
falado aquilo ou se odiava a si mesmo por cogitar a proposta do
sábio. Depois de muito pensar e discutir consigo mesmo o homem se
questionou o que era mais importante para ele e com muitas lágrimas
nos olhos e aperto no coração depositou cuidadosamente seus anões
de jardim, que com tanto amor havia confeccionado, no pé da escada e
subiu rumo à sabedoria.
Quando
chegou ao fim de sua jornada, os seus olhos não conseguiam conter as
lágrimas, dessa vez de felicidade. O guru então lhe perguntou se
foi muito difícil abandonar os seus amigos durante o caminho, pois
ele havia assistido do alto da montanha todo o trajeto do humilde
peregrino. O homem, com pesar no peito disse que sim, pois ele era um
homem muito solitário e aqueles anões eram sua vida. O guru o levou
a questionar a sua vida e estimulou o homem a relembrar todos os seus
dias. Neste instante o homem percebeu que sempre tivera companhia,
que as outras pessoas de sua aldeia sempre tentaram se aproximar
dele, mas ele sempre as rejeitou por não se sentir bom o suficiente.
O
homem então percebeu que nunca estivera aberto para novas
possibilidades e com isso ele descobriu a razão da felicidade. O
homem se apaixonou pelo templo e pelos seus ensinamentos e nunca mais
retornou de lá, ficando no lugar do guru quando este veio a
falecer.”
Muitas
vezes se torna difícil abandonar certas pedras pelo caminho, mas
algumas pessoas apenas nos levam pra baixo. Devemos tirar os pesos
das nossas costas e continuar a caminhada rumo ao nosso sucesso, nós
deixamos muitos pra trás nessa longa caminhada, mas com certeza
muitos melhores virão pela frente.
“Não
vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes”.
1
Coríntios 15:33
Fica
a dica!
